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O acordo do Itaú com o BMG e os juros no país

O acordo entre o BMG e o Itaú, fechado na terça-feira passada, é um negócio que não apenas aponta uma tendência do mercado brasileiro de crédito, como é marcado por um sinal positivo neste momento em que a economia parece mudar de rumo.

Os dois bancos se uniram para criar uma terceira instituição, que se chamará Itaú BMG Consignado e trabalhará voltada exclusivamente para esse tipo de operação.

Trata-se, como nunca é demais lembrar, de um modelo de empréstimo que expõe as instituições financeiras a um risco menor do que o verificado em outras modalidades e permite, em consequência disso, que os juros sejam menores.

(Menores do que os cobrados nas outras modalidades de empréstimos, é bom que se diga. O problema das taxas de juros ao tomador final no Brasil é complexo, e a redução depende de fatores que não estão sob controle dos bancos. O governo, por exemplo, ajudaria a reduzir os juros se eliminasse a cobrança do IOF. Só a alíquota final desse tributo supera a taxa de juros na maioria das boas economias do mundo.)

O novo banco marcará o ingresso do Itaú (que entrará com 70% do capital de R$ 1 bilhão) nesse segmento do mercado. E o BMG, que é um dos pioneiros nesse tipo de operação no Brasil, além dos outros R$ 300 milhões, cuidará da operação propriamente dita.

O mais impressionante de tudo isso é que a negociação em torno de um empreendimento desse porte foi proposta e fechada em apenas 72 horas. Isso mesmo: três dias.

A ideia de criar uma joint venture, em vez de o Itaú comprar ações do banco mineiro, partiu do presidente do Itaú, Roberto Setubal. Foi a forma encontrada por ele para fugir dos longos processos de due diligence e formação de preços que envolveriam uma eventual compra da carteira do BMG pelo Itaú.

A ideia foi imediatamente aceita pelos acionistas do BMG. O novo banco põe um ponto final nas conversas que estiveram a ponto de ampliar ainda mais a ‘presença do Bradesco no mercado de crédito consignado. Instituição familiar, com as raízes fincadas no mercado de Minas Gerais, o BMG esteve, dias atrás, muito perto de ser adquirido pelo Bradesco.

Os números da proposta, mantidos em segredo, foram considerados satisfatórios para o prosseguimento das negociações nas circunstâncias atuais do mercado, e a transação só não foi sacramentada porque, em cima da hora, os controladores decidiram que não era o momento de se afastar da operação.

“Não é um bom negócio vender um banco com o mercado em baixa”, diz um alto dirigente do BMG. “É melhor esperar um pouco.”

Criar uma instituição especializada em conceder empréstimos num momento em que, conforme os dados divulgados pelo mercado, a inadimplência está em elevação não deixa de ser interessante.

O Itaú BMG Consignado chega disposto a oferecer juros mais baixos inclusive do que os cobrados por outros bancos que operam com a mesma modalidade de crédito. A carteira total de empréstimos consignados no Brasil é de R$ 124 bilhões.

A alta direção do BMG acredita que há espaço para crescimento – até mesmo com a inclusão dos empregados de empresas privadas entre os clientes.

Fonte: Brasil Econômico

Sobre Ricardo Galuppo

Ricardo Galuppo
Ricardo Galuppo é jornalista, foi editor das revistas "Veja" e "Exame", da Editora Abril, e diretor de redação da "Forbes Brasil". É diretor executivo, diretor de redação e jornalista responsável pelo jornal “Brasil Econômico”. Lançou os livros “Raça e amor, a saga do Clube Atlético Mineiro vista da arquibancada” (Dorea Books), “Aprendi com meu chefe” (Saraiva, 2008) e “O road show não pode parar - Desmutualização e Ipo da Bovespa” (Cultura).

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